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02. Afirmação Africana
"Sentia-me perseguido, como toda a gente, pela PIDE. Pairava no ar qualquer coisa de que eu era objecto de perseguição e pressenti que, não estando ligado propriamente às actividades políticas portuguesas, seria para mim um corte na minha própria formação continuar em Lisboa. Depois, já tinha ligações com o Alioune Diop, com a Présence Africaine, além disso tinha também já dois dos elementos do nosso grupo em Paris, Marcelino dos Santos e Guilherme Espírito Santo, da família do 37."
Mário Pinto de Andrade parte assim para Paris em 1954, onde, de imediato, trabalha na revista Présence Africaine, "na dupla função de secretário da nova série da revista e de secretário pessoal do próprio director."
Entretanto, mantém contacto com o grupo que ainda tinha ficado em Lisboa e com Viriato da Cruz, ao mesmo tempo que se inscreve na Escola Prática dos Altos Estudos – onde teve por mestre Roger Bastide – e se relaciona com intelectuais e activistas negros, como Richard Wright, James Baldwin e Chester Himes, além de Aimé Césaire e Léopold Sedhar Senghor. Ao mesmo tempo, relaciona-se intensamente com o seu "amigo e cúmplice" Aquino de Bragança, que tinha ido directamente de Goa para Grenoble, passando por Moçambique mas sem parar em Lisboa.
"Imagine, para um jovem vindo das Ingombotas, o que significou, como abertura para o Mundo, o facto de ter trabalhado na organização (do Primeiro Congresso dos Escritores e Artistas Negros), que reuniu os intelectuais do Mundo Negro, desde o velho Price-Mars, que devia andar pelos 80 anos, e era o chefe do movimento indigenista no Haiti, Jacques-Stephen Alexis, um romancista, René Dépestre, vários escritores africanos e aqueles, evidentemente, que estavam já em Paris."