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Centro Estudos Guiné Portuguesa
O Centro de Estudos da Guiné Portuguesa surge na sequência das comemorações do V Centenário da Descoberta da Guiné, que decorreram de 23 de Julho de 1945 a 31 de Outubro de 1947. Num esforço de desenvolvimento da colónia a que não é alheia a tomada de posse do novo governador, o Capitão Tenente Manuel Maria Sarmento Rodrigues, posteriormente Ministro das Colónias/Ultramar, é no âmbito destas que, a 13 de Dezembro de 1945, é criado o referido Centro, cujo objectivo era o de «promover o desenvolvimento cultural da Guiné Portuguesa, proceder à organização do «Museu da Guiné Portuguesa» e dirigir a publicação do «Boletim Cultural da Guiné Portuguesa».
A publicação do Boletim Cultural (que se encontra integralmente digitalizado no site do projecto "Memória de África" http://memoria-africa.ua.pt/collections/BCGP/tabid/175/language/pt-PT/Default.aspx) começa logo em 1946 e mantém-se regularmente, com 4 números anuais, até 1973. É menos clara a data da inauguração do Museu, bem como os moldes em que funcionava, sabendo-se apenas que as obras se prolongaram pelo menos até 1951, ano em que Gilberto Freyre visita o território (e o Museu). É aliás significativa esta visita: no mundo do pós-guerra, em que as correntes defensoras da emancipação das colónias ocidentais saíram vitoriosas, a apropriação por parte do regime salazarista das teorias luso-tropicalistas de Freyre representou uma saída «teórica» para substituir a posição clássica em que os «direitos históricos» da ocupação serviam de principal justificação para a continuidade da presença portuguesa nos territórios ultramarinos – era necessário conquistar as mentes e «europeizar» os espaços. Este foi certamente (também) o papel do Centro de Estudos.
Contudo, não devemos olhar para a produção do Centro de Estudos apenas como propaganda ao regime. A qualidade das suas investigações em campos como a biologia, a antropologia, a geografia e muitos outros faz com que este precioso espólio ainda hoje seja útil muito para além do mero interesse histórico. É aliás de notar que o actual INEP surge da extinção/reorganização do anterior INIC (Instituto Nacional de Investigação Científica) que, precisamente, tinha sido criado no periodo pós-colonial como continuação lógica do Centro de Estudos, integrando toda a sua biblioteca e documentação.