Docs. selecionados:

Pesquisa Avançada
Voltar aos arquivos



Info

Museu


Nota biográfica/Institucional
O Museu da Guiné Portuguesa, em Bissau, foi criado pelo Decreto n.º 36.639, publicado no Diário do Governo n.º 278 (1.ª série) de 29 de Novembro de 1947 e no Boletim Oficial da Colónia n.º 7 de 16 de Fevereiro de 1948, pese embora seja menos clara a data da sua efectiva inauguração enquanto espaço aberto ao público - sabendo-se que as obras se prolongaram pelo menos até 1951, ano em que Gilberto Freyre visita o território (e o Museu, ainda em instalação).
A visita de Freyre é aliás significativa: no mundo do pós-guerra, em que as correntes defensoras da emancipação das colónias ocidentais saíram vitoriosas, a apropriação por parte do regime salazarista das teorias luso-tropicalistas de Freyre representou uma saída «teórica» para substituir a posição clássica em que os «direitos históricos» da ocupação serviam de principal justificação para a continuidade da presença portuguesa nos territórios ultramarinos – era necessário conquistar as mentes e «europeizar» os espaços. Este foi certamente (também) o papel do Museu.
Cabia ao Museu da Guiné Portuguesa não apenas a constituição e gestão de um espaço museológico referente àquele território, com as secções de História, Ciências Naturais, Economia e Etnografia (embora apenas esta última tenha entrado efectivamente em funcionamento), mas igualmente a criação de um Arquivo Histórico (que nunca veio a ser organizado), da biblioteca (que se autonomiza em 1970) e a gestão corrente do Centro de Estudos da Guiné Portuguesa, designadamente no que diz respeito à distribuição do Boletim Cultural da Guiné Portuguesa.
Estas vastas atribuições, aliadas às conhecidas e endémicas carências e ineficácia da administração colonial portuguesa, reflectem-se na perfeição na documentação aqui presente: competências pouco definidas, documentação mal classificada na origem, incapacidade de levar a cabo de forma eficaz os seus objectivos fundadores.
Não devemos no entanto menosprezar estas instituições. Sementes da investigação científica na actual República da Guiné-Bissau podem ser aqui encontradas.