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Abel Salazar
O acervo Abel Salazar (Abel de Lima Salazar, 1889-1946) ilustra as diversas facetas da sua actividade enquanto médico, cientista, humanista, reflectindo o seu interesse pelas mais diversas áreas desde a cultura, a sociedade, o pensamento e mesmo no campo da política, e ainda como pedagogo, escritor e artista.
Assim, na organização da base de dados optou-se por diferenciar a documentação por forma a sobressair estas várias vertentes, contribuindo assim para um melhor conhecimento da sua obra científica, cultural e política, que marcou a primeira metade do século XX.
Dada a particular dimensão e relevância no conjunto do acervo, deu-se tratamento diferenciado à correspondência enviada a Abel Salazar, constituída por centenas de cartas, provenientes de diversas instituições e personalidades, a qual foi organizada alfabeticamente.
A extensa colecção de desenhos foi igualmente destacada, e é particularmente ilustrativa de uma das formas de expressão do seu génio artístico.
O acervo contém também um conjunto de centenas de fotografias relativas às diversas actividades de Abel Salazar, mas também relacionadas com a constituição e história da Casa Museu destinada a enaltecer e divulgar a sua obra.
Da mesma forma, foram individualizados os inúmeros recortes de imprensa alusivos às várias homenagens prestadas a Abel Salazar e à organização da Casa Museu, facilitando-se, assim, a sua consulta e pesquisa.

Instituição
Casa Museu Abel Salazar

Nota biográfica/Institucional
Abel de Lima Salazar
Filho mais velho de Adolfo Barroso Pereira Salazar e Adelaide da Luz Silva Lima Salazar, nasceu em Guimarães a 19 de Julho de 1889, no Hotel do Toural.
Seu pai foi, em Guimarães, secretário e bibliotecário da Sociedade Martins Sarmento, professor de francês na Escola Industrial Francisco da Holanda e escrevia para a “Revista de Guimarães”, tendo depois leccionado na Escola Industrial Infante D. Henrique, do Porto.
Em Guimarães, Abel Salazar completando a escola primária e parte do secundário no Seminário-Liceu, onde foi aluno distinto e premiado.
Em 1903, matricula-se no Liceu Central do Porto, onde se mantém até à conclusão da 7ª Classe de Ciências no ano lectivo de 1906/1907. Aqui o seu talento para o desenho foi-se revelando em caricaturas dos mestres, talento artístico que lhe abriu as portas de uma tertúlia de condiscípulos mais velhos e atentos às mudanças políticas que ocorriam no país.
Em 1907 subscreveu uma Representação de Estudantes do Porto contra um projecto de limitação da liberdade de imprensa, aderiu à greve académica ocorrida em Abril daquele ano.
Ingressa na Escola Médico-Cirúrgica do Porto em 1909, concluindo o curso de Medicina em 1915, com o “Ensaio de Psicologia Filosófica”, classificada com 20 valores.
Em 1918, com apenas 30 anos de idade, é nomeado Professor Catedrático de Histologia e Embriologia. Nesse ano funda e dirige o Instituto de Histologia e Embriologia da Faculdade de Medicina do Porto, onde, apesar da falta de recursos financeiros, consegue realizar uma série de notáveis trabalhos de investigação, a par da orientação pedagógica dada aos alunos de medicina, considerada inovadora no contexto da época.
Entre 1919 e 1925 o seu trabalho torna-se conhecido internacionalmente e publicado em várias revistas científicas internacionais, e irá representar a Faculdade de Medicina do Porto em congressos realizados na Europa, aproveitando para visitar também vários estabelecimentos científicos.
A actividade de Abel Salazar não se limitou, porém, a movimentações de âmbito científico ou escolar e afins. Em 1915 participou, com dezenas de croquis, na Exposição de Humoristas e Modernistas realizada no Salão Passos Manuel, no Porto, juntamente com Almada Negreiros, Jorge Barradas, Cristiano Cruz, Stuart de Carvalhais, entre outros. Com Cerqueira Machado, seu companheiro de infância, realiza em 1922, uma exposição no Porto, e em 1924 em Lisboa, na SNBA.
Em 1926, sofre um esgotamento que o leva a interromper a sua actividade universitária durante quatro anos. Interna-se na Casa de Saúde de São João de Deus e dedica-se às Artes. Escreve livros e elabora mais de 200 desenhos. entre esboços e estudos para quadros.
De regresso à Faculdade em 1931, encontra o seu gabinete desmantelado. Face à dificuldade em aceitar as limitações que lhe são impostas, é mandado, em 1934, com uma bolsa de estudo num exílio disfarçado, para Paris, onde acaba por tomar parte em manifestações contra a acção repressiva que se exerce em Portugal. É-lhe retirada a bolsa concedida, e em 1935 é “desligado do serviço”.
Fica daí para diante em forçada inocupação, sendo-lhe vedada, até, a biblioteca da sua Faculdade. O afastamento da vida académica permite-lhe desenvolver em sua casa uma produção artística variada na temática e na expressão plástica: gravura, pintura, desenhos, caricaturas, escultura e cobres martelados, etc.
Colaborou também, ao longo dos anos, com diversos periódicos, nomeadamente no quinzenário Sol Nascente.
Em 1941, por sugestão do Prof. Mário de Figueiredo, então Ministro da Educação Nacional, o Instituto para a Alta Cultura cria um Centro de Estudos Microscópicos, na Faculdade de Farmácia, cuja direcção é confiada a Abel Salazar. O Centro funciona sem condições materiais e financeiras, mas mesmo assim Abel Salazar continua a fazer investigação com a colaboração de Adelaide Estrada.
Morre em Lisboa, na casa de sua irmã Dulce Salazar, a 29 de Dezembro de 1946, com 57 anos de idade, vítima de cancro pulmonar.

Dimensão
Este fundo é composto por 56 pastas de arquivo.

Estado de Tratamento
Integralmente tratado. Parcialmente disponível à consulta.