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Rodrigo José Rodrigues
NOTA PRÉVIA: A documentação de Rodrigo José Rodrigues agora disponibilizada online encontra-se ainda em estudo e organização.
O acervo documental de Rodrigo José Rodrigues (1879-1963) foi depositado na Fundação Mário Soares pelos seus netos, Rodrigo Rau e Maria José Rodrigues Rau Pinto da Silva, em Junho de 2009.
É constituído por uma diversidade de documentos relativos à carreira profissional e percurso político de Rodrigo Rodrigues, desde os finais da Monarquia até à Ditadura Militar, decorrida em Portugal e nas colónias (particularmente na Índia e em Macau). Inclui ainda inúmeros manuscritos literários, filosóficos, históricos e políticos de Rodrigo José Rodrigues, alguns dos quais de carácter autobiográfico, e projectos para livros, que permaneceram inéditos e em rascunho, ou que apenas em parte foram sendo publicados na imprensa.
No que respeita à documentação relacionada com os diversos cargos públicos que Rodrigo Rodrigues desempenhou, salienta-se um conjunto significativo de correspondência do período em que foi Ministro do Interior (1913-1914), relacionada com um inquérito ordenado à propaganda sindicalista e movimento grevista em várias regiões do país, bem como informações de várias entidades acerca de movimentos conspirativos, tanto monárquicos como de outros grupos republicanos que se opunham ao governo do Partido Democrático.
Incluem-se ainda neste fundo correspondência diversa e de significativa riqueza para o estudo da história da República e da Ditadura Militar, remetida por diversas personalidades, como sejam Afonso Costa, Bernardino Machado, José da Costa Nunes (bispo de Macau), José Leite de Vasconcelos, Norton de Matos, entre outras.
No que se refere à actividade literária e aos inúmeros manuscritos de Rodrigo Rodrigues, devem ser salientados dois conjuntos de maior importância, que estiveram na base de projectos para duas obras que o autor pretendia vir a publicar. O primeiro destes conjuntos, sob a designação geral de "Farrapos de Memória", que o autor possivelmente projectava publicar em vários volumes, contém manuscritos e documentos avulsos que foram coligidos sobre diversos episódios e figuras históricas do período da República e da Ditadura Militar.
Entre estes textos, encontram-se temáticas como a organização do primeiro ministério exclusivamente formado por elementos do Partido Democrático, a história da sua organização clandestina designada por "Formiga Branca", e ainda o contexto da participação de Portugal na I Guerra, com registo de acontecimentos que precederam o golpe sidonista.
De salientar igualmente um conjunto documental, designado por "Uma Época", que inclui apontamentos e rascunhos de textos, correspondência, recortes de imprensa, etc., que fazem parte de um projecto para publicação de um livro, em dois volumes, relacionados com a génese do movimento de 28 de Maio de 1926 e o subsequente regime de ditadura, que também permaneceu inédito.
O I volume desta obra, do qual foram preparadas algumas versões, é dedicado a Gomes da Costa e à sua carreira militar e política, incluindo a sua participação na I Guerra Mundial, as suas actividades nas colónias (nomeadamente no que respeita ao seu plano colonial para o Oriente), bem como o seu papel no golpe de 28 de Maio. Inclui, além de textos de Rodrigo Rodrigues, vários documentos que foram coligidos para a preparação do livro, designadamente correspondência original de Gomes da Costa dirigida a Rodrigo quando este foi Governador de Macau, entre outros originais e materiais de apoio e contextualização.
O II volume, contudo, pouco passou de projecto e da fase de recolha de alguma documentação com vista à sua elaboração.
Refira-se também vária documentação reunida por Fernando Rau, genro de Rodrigo José Rodrigues, composta por várias notas biográficas sobre este, recortes de imprensa e correspondência alusiva ao seu falecimento.
Fernando Rau terá sido frequentemente consultado por Rodrigo Rodrigues nos últimos anos da sua vida, no que respeita à preparação das suas memórias e projectos para a sua publicação. Após a morte de Rodrigo, Fernando Rau terá ainda tentado concretizar este objectivo. No espólio é sua nítida intervenção no sentido de organizar os manuscritos, agrupando-os muitas vezes tematicamente, e deixando o seu cunho em vários apontamentos, quer sobre os próprios originais de Rodrigo Rodrigues, quer em folhas avulsas e capilhas que elaborou para agrupar os vários textos e documentos.
Na organização da documentação do fundo documental de Rodrigo Rodrigues manteve-se a ordem física com a qual os documentos se encontravam, procedendo-se à construção de um quadro de classificação com vista à organização da informação, tendencialmente funcional, e com base tanto nos contextos de produção como nos da sua (re)utilização.
Assim, convém realçar que existem documentos que foram produzidos numa época, mas que voltaram a ser utilizados noutra, em contextos distintos, e agrupados noutros conjuntos documentais. É o caso, por exemplo, da correspondência que Gomes da Costa dirigiu a Rodrigo Rodrigues quando este último foi Governador de Macau, em 1923-1924. Muito embora esta documentação esteja directamente relacionada com a função de Governador de Macau, ela acabou por ser reutilizada por Rodrigo Rodrigues no contexto da elaboração das suas memórias e do projecto de livro "Uma Época", e por este colocada junto com os seus textos. Por seu turno, Fernando Rau, ao tentar organizar postumamente o espólio de Rodrigo Rodrigues, terá voltado a utilizar estas cartas para efectuar transcrições, desconhecendo-se o impacto desta intervenção no que se refere à própria reorganização que Rodrigo lhes terá dado. Este fenómeno de múltiplas utilizações dos documentos, em contextos cronológicos distintos da sua produção inicial, repete-se em diversas situações em praticamente todo o espólio.
Sempre que um documento foi "reutilizado" em contexto distinto do da sua produção, a opção seguida não foi a de o "devolver" a esta no quadro de classificação, mas antes a de o manter no último contexto da sua utilização.
Assim, recomenda-se ao investigador interessado na vida e obra de Rodrigo Rodrigues, e nas temáticas cobertas por este fundo, que percorra o quadro de classificação, para se inteirar da sua organização, e que, finalmente, recorra à funcionalidade das pesquisas do portal casacomum.org para permitir a recuperação de documentos em função dos seus assuntos, datas ou pessoas.

Instituição
Fundação Mário Soares

Nota biográfica/Institucional
Rodrigo José Rodrigues nasceu em Britelo, Celorico de Basto, em 28 de Setembro de 1879, sendo filho de Daniel José Rodrigues e de Maria Elisa da Cunha Rodrigues.
Concluído o curso liceal em Lamego, ingressou na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, alcançando o bacharelato em Medicina, em 1902.
Seguiu a carreira de oficial do Exército e foi médico militar do Quadro Colonial, com serviços prestados em Cabo Verde (1903) e na Índia (1904-1910).
Desempenhou também os cargos de reitor do Liceu de Goa e de professor da Escola Médica local. Dirigiu também o Instituto de Análises e Vacinas de 1906 a 1908.
Após a implantação da República foi nomeado director da Penitenciária de Lisboa, desempenhou funções de vogal do Conselho Colonial, entre 1912 e 1919, e ainda de inspector das Escolas Primárias Superiores.
No domínio político, manteve sempre a sua filiação no Partido Republicano Português e uma estreita ligação com Afonso Costa, tendo sido membro da Liga Académica Republicana.
Em 1911 foi Governador Civil de Aveiro e do Porto, e, em 1913, eleito deputado pelo círculo desta última cidade. Sobraçou a pasta de Ministro do Interior, entre 9 de Janeiro de 1913 e 9 de Fevereiro de 1914, no ministério presidido por Afonso Costa. Foi durante esse período que ocorreu a criação da chamada "Formiga Branca", organização semi-clandestina do Partido Democrático, que terá tido como um dos principais mentores Daniel Rodrigues, governador civil de Lisboa e irmão de Rodrigo José Rodrigues. Durante o seu ministério foi também levado a cabo, em diversos distritos do país, um extenso inquérito à propaganda sindicalista, como forma de identificar potenciais agitadores que colocassem em risco o governo do partido democrático, bem como a segurança dos seus líderes.
Terminada a actividade governamental, Rodrigo Rodrigues regressou ao parlamento, representando os círculos de Faro (1915), Lisboa Ocidental (1921) e Lisboa Oriental (1922).
Em 1918, na sequência do golpe de Estado que levou ao poder Sidónio Pais, foi preso, sendo detido numa das celas da Penitenciária, que ele próprio dirigia, acabando depois exonerado do seu cargo. Após o sidonismo desempenhou em 1919 as funções de director geral das prisões. Foi ainda professor de Higiene e Médico Escolar da Escola Primária Superior de Amarante.
Dada a sua larga experiência no domínio colonial, viria ainda a ser Governador de Macau, entre 1922 e 1924, e delegado de Portugal na Conferência do Ópio de Genebra (1924). Ocuparia depois o cargo de secretário da delegação portuguesa à Sociedade das Nações, entre 1925 e 1927, em Genebra.
Já em plena Ditadura Militar, após regressar de Genebra, foi colocado como chefe da 2.ª Repartição da Direcção Geral de Belas Artes, mas acabou sendo demitido das funções públicas em 1928.
Autor de diversas obras, colaborou igualmente em vários periódicos, sendo de salientar a publicação de alguns episódios das suas memórias no jornal "República", durante os anos de 1950.
Faleceu em Oliveira de Azeméis a 19 de Janeiro de 1963.

Dimensão
Este fundo é composto por 12 pastas de arquivo, o que perfaz, aproximadamente 1.08 metros lineares.

Estado de Tratamento
Em tratamento.