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12. Documentos Pedro Soares
A secção "Documentos Pedro Soares" corresponde a um conjunto de documentos relacionados com Pedro dos Santos Soares, cedidos pela sua irmã, Arminda Soares, a Alberto Pedroso, em 16 de Outubro de 1986.
Nela se incluem documentos pessoais do próprio, fotografias e diversa correspondência, maioritariamente dirigida por Pedro Soares a sua mãe, durante os períodos em que esteve preso por ordem do regime do Estado Novo, cartas que assinalam em particular a sua passagem pelas cadeias do Aljube e de Peniche.
Assinale-se ainda a presença de um auto de captura policial que relata uma detenção de Pedro Soares e sua esposa.
Junto com estes documentos encontrava-se também um recorte de imprensa, posterior ao falecimento de Pedro Soares, prestando-lhe homenagem, bem como à sua esposa.

Nota biográfica/Institucional
Pedro dos Santos Soares (1915-1975) era natural de uma aldeia do concelho de Beja, cidade onde frequentou o Liceu.
Interessou-se pelos problemas culturais e políticos do seu tempo, logo desde a juventude, participando em movimentos estudantis antifascistas e em greves académicas.
Ainda jovem ingressou no Partido Comunista, do qual foi activo militante.
Em Março de 1934 foi preso pela primeira vez numa manifestação estudantil em Lisboa. A partir de então, a sua militância levá-lo-ia a ser preso sucessivamente e a passar longos períodos da sua vida nas várias cadeias onde o regime mantinha os seus presos políticos. Aljube, Caxias, Peniche, Porto e o Campo de Concentração do Tarrafal foram algumas pelas quais passou.
Sobre o Tarrafal, para onde Pedro Soares seguiu logo em 1936 integrado na primeira leva de presos para ali enviados, e onde voltaria a regressar nos anos de 1943-1946, escreveu o texto "Tarrafal: Campo da Morte Lenta", editado clandestinamente pelo PCP em 1947.
Chegou a fugir da prisão da PIDE no Porto, em 1954, e foi um dos elementos do grupo que protagonizou a célebre fuga do forte de Peniche, em Janeiro 1960, onde também se encontrava Álvaro Cunhal.
Pedro Soares esteve também em Moçambique, entre 1947 e 1950, procurando ali organizar o partido, antes de passar a integrar o Comité Central do PCP, em 1953.
Ao longo dos anos de 1960 até ao 25 de Abril de 1974, desenvolveu intensa actividade no estrangeiro, em representação do seu partido.
Faleceu em 10 de Maio de 1975, juntamente com a sua companheira a médica Maria Luísa Costa Dias, num acidente de automóvel.