Cota: 00166.050Assunto: Envio de cartão-de-visita e carta aberta a Mário Soares com sugestões de caminhos a seguir para o fomento de Portugal. O remetente refere a liberdade de expressão que corre nas ruas, apesar de existir ainda resquícios de censura não oficial, mas social. Acredita que a partir do 25 de Abril deixou-se de trabalhar e focou-se mais em vender "o peixe político". Apesar de reconhecer o que Mário Soares fez pela democracia, acha que este é arrogante quando dá a entender que é a única alternativa válida, não considerando a atitude democrática. Afirma que Soares não pode continuar a querer agradar a todos e deve fazer escolhas. Essa escolha deve ser a Pátria e impedir que Portugal se torne numa Cuba ou no Chile da Europa. Refere que apesar de se atribuírem os problemas do país ao anterior regime, acredita que muita da riqueza deixada foi esbanjada pelo Gonçalvismo. Sugere que Soares se afaste dos comunistas, se aproxime da Europa e indemnize os titulares de ações das empresas nacionalizadas, pois é daqui que vem o investimento no país e sem dinheiro o mundo não gira. Defende que se os capitalistas acabarem, a incompetência aumenta. Apela a que Mário Soares se una a todos os democratas do país. Inclui cópia de resposta da Adjunta do Gabinete do Primeiro-Ministro, Maria Fernanda de Castro, 28 de março de 1977.Destinatário: Mário Soares, Primeiro-MinistroFundo: Mário SoaresDatas: quarta, 23 de março de 19772 Página(s): 4