Cota: 00139.033Assunto: Carta de cidadão em Angola expondo as suas dificuldades em retornar a Portugal. Sente que ninguém se tem interessado por aqueles que foram obrigados a ir para África. Foi mobilizado para a Guerra Colonial e foi ferido, não tendo ficado, no entanto, incapacitado. A mulher juntou-se a este em Angola e lá estabeleceram família. Trabalha no ramo da música e percorre Angola a trabalhar. Após o 25 de Abril de 74, retorna a Portugal para procurar trabalho e sentiu-se injustiçado por ser tratado como um colonialista racista, não tendo conseguido trabalho. Afirma que nunca teve qualquer atitude nesse sentido e sempre trabalhou honestamente sem explorar ninguém. Afirma que foi para África obrigado e tem o direito a proteger a sua família do fogo-cruzado entre três movimentos de libertação que nunca se entenderam. Diz-se farto de guerra, sangue e mortes. Quer poder contribuir para a construção do seu país. Pede que Mário Soares se lembre das pessoas na sua situação, sugerindo que isso até poderá constituir uma vantagem eleitoral para o PS. Considera-se socialista, mas anticomunista e anti-MPLA, ressaltando as qualidades das democracias socialistas parlamentares. Em PS admite que Mário Soares poderá não responder mas que este é livre de escrever porque a PIDE acabou.Fundo: Mário SoaresDatas: terça, 15 de abril de 1975 Página(s): 5
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Correspondencia