Cota: 00142.085Assunto: Carta de dona de propriedade denunciando ocupações selvagens no Alentejo. A remetente confessa que no debate com Álvaro Cunhal, desejava que Mário Soares tivesse sido mais firme sobre o que se passa com as ocupações selvagens no Alentejo, mais especificamente em Elvas e Campo Maior. Relata que as terras são ocupadas por três ou quatro trabalhadores e nem apresentam fundamento oficial e legal. Refere que é mentira que os proprietários não pagam os seus créditos e os salários dos seus trabalhadores. Desmente a narrativa de que nunca houve tanta terra cultivada como em 1975, graças às ocupações, dizendo que quem fez as sementeiras foram os proprietários antes das herdades serem ocupadas. Relata famílias a tirarem móveis e objetos de valor, a venderem os animais à pressa, porque temem perder tudo nas ocupações. Refere que o valor pago aos trabalhadores pelo Centro de Reforma Agrária de Elvas é menor do que o que os latifundiários pagavam. Denuncia o facto de que as propriedades depois de ocupadas são expropriadas de tudo o que é de valor e são abandonadas. Contudo, explica que é a favor da Reforma Agrária, mas dentro do que está previsto na lei. Teme a violência e a fome. Pede a Mário Soares que vá a Campo Maior ver as ocupações selvagens com os próprios olhos e que denuncie o que se está a passar na TV, em outro frente a frente com Álvaro Cunhal, pois acredita que o PS poderá ganhar votos com isso, apesar de Cunhal não se interessar pelo resultado das eleições.Destinatário: Mário SoaresFundo: Mário SoaresDatas: c. dezembro de 19751 Página(s): 6