Cota: 00143.024Assunto: Carta denunciando as condições em que se encontra os presos da ex-PIDE/DGS, na prisão de Alcoentre. A remetente assina por um grupo de familiares de presos da ex-PIDE/DGS na prisão de Alcoentre. Expõe que na referida prisão os soldados sofrem várias violências físicas e psicológicas e que vêm frequentemente os seus bens pessoais roubados ou destruídos. Refere que há 4 meses que não sabem dos seus familiares presos porque foram proibidas as cartas e as visitas, pelo que não sabem se estes estão vivos ou mortos. Relata que os presos passam fome, não podem fumar, não tem como lavar a sua roupa, por vezes a única que trazem no corpo porque as restantes foram confiscadas. Denuncia assédio dos guardas prisionais às mulheres familiares dos presos. Explica que lhes está vedado o acesso a cuidados de saúde de qualquer tipo. Quando os presos tentam apresentar queixa, são ameaçados com pena de morte. A signatária defende que o tribunal revolucionário e o facto do reu se sentar no tribunal já condenado é inconstitucional e contra os Direitos do Homem. Acredita que o que se está a fazer agora aos presos políticos não é diferente do que acusavam o estado Novo de fazer. Sustenta que os presos são inocentes porque eram funcionários de uma instituição legal e reconhecida nacional e internacionalmente, integrando inclusive a própria Interpol. Desta forma, acredita que os presos são o bode expiatório da revolução, ao passo que a PIDE continua a operar no atual regime e com funcionários que vêm do Estado Novo. Denuncia o facto dos presos estarem presos há 18 meses sem julgamento. Pede a Mário Soares que se faça justiça e que se abra um inquérito há prisão de Alcoentre.Destinatário: Mário Soares, Secretário-Geral do PSFundo: Mário SoaresDatas: quinta, 30 de outubro de 19751 Página(s): 5