Cota: 00142.119Assunto: Carta de mulher de ex-guarda prisional da DGS, pedindo a sua libertação. A remetente explica que sempre passou dificuldades e por isso foi para Moçambique com a mãe para ser criada de servir. Lá conheceu o seu marido que estava no exército mas que depois foi exercer a sua profissão de barbeiro. Como ganhava pouco, surgiu a oportunidade deste ser guarda prisional da DGS e este foi, sendo que tinham muitas regalias como acesso a médico, alimentação mais barata e medicamentos. Com o 25 de Abril, todo o pessoal da DGS foi preso, sendo que seria libertado quem não tivesse queixas dos presos políticos e seria reintegrado numa prisão civil. O seu marido foi libertado sem qualquer queixa. A signatária relata que um dia a sua casa foi tomada e lhe roubaram tudo e, por isso, decide voltar a Portugal com o marido. O marido foi preso no aeroporto de Lisboa e assim ficou durante meses. Eventualmente foi libertado, sendo obrigado a apresentar-se na polícia, algo que cumpriu. EM dezembro de 1974 voltou a ser preso e assim ficou até ao momento desta carta, sem motivo ou culpa formada. A remetente pede a libertação do marido porque este é o garante do sustento da família. Relata que está na casa da sogra, que não tem condições sanitárias e que tem dificuldade em alimentar a filha e em comprar medicamentos para a mãe doente.Destinatário: Mário SoaresFundo: Mário SoaresDatas: domingo, 7 de dezembro de 19751 Página(s): 6