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Info

Manuel Teixeira Gomes
Esta documentação de Manuel Teixeira Gomes (1860-1941) foi incorporada na Fundação Mário Soares por aquisição, em 2008.
O acervo documental contém documentos que se situam entre as datas limites de 1894 e 1951, embora a maior parte dos documentos digam respeito ao período entre 1910 e 1922, ou seja, essencialmente referentes à sua acção diplomática no estrangeiro. O período posterior a 1922, designadamente o referente à sua presidência da República, bem como à sua posterior actividade intelectual, está claramente ausente deste acervo documental.
O fundo é composto maioritariamente por correspondência, familiar e política, com várias centenas de personalidades nacionais e estrangeiras, a qual foi organizada cronologicamente.
O acervo contém igualmente um conjunto de documentos avulsos diversos, que foram agrupados sobre diversas temáticas, relacionados nomeadamente com a I República, a actividade da Legação de Portugal em Londres e à participação de Teixeira Gomes como delegado de Portugal à Sociedade das Nações, destacando-se, por exemplo, um conjunto de de actas da 3.ª Assembleia da Sociedade das Nações, realizada em Setembro de 1922.
Conteúdos de imprensa, fotografias e postais, não directamente relacionados com as temáticas acima referidas, constituem grupos autónomos na organização documental criada.

Instituição
Fundação Mário Soares

Nota biográfica/Institucional
Político, diplomata, escritor, jornalista e empresário, Manuel Teixeira Gomes nasceu a 27 de Maio de 1860, em Vila Nova de Portimão. Seu pai, José Libânio Gomes, dedicava-se ao comércio de frutos secos, viajando bastante pela Europa, e assistiu à revolução de 1848 em França. Advogando princípios republicanos, terá contribuído para a formação política do seu filho.
Aos 10 anos é enviado para o Seminário de Coimbra, tendo sido colega de José Relvas. Aos 15 anos, matricula-se na Faculdade de Medicina daquela cidade, mas cedo desiste do curso, instalando-se em Lisboa onde frequenta a Biblioteca Nacional e se torna amigo de João de Deus e de Fialho de Almeida. Após ter cumprido o serviço militar, vai viver para o Porto, convivendo com Sampaio Bruno, Basílio Teles, Soares dos Reis e outros. Com Joaquim Coimbra e Queirós Veloso publica o jornal de teatro Gil Vicente, colaborando no Primeiro de Janeiro e na Folha Nova.
Após anos de boémia, regressa a Portimão, reconciliando-se com a família e iniciando a sua participação nos negócios. Viaja então imenso, visitando a Europa, demorando-se em Itália. Alarga o seu campo cultural, deambulando pelo norte de África e pela Ásia Menor. A partir de 1895, estabelece novos contactos com os meios literários de Lisboa. Por intermédio de Fialho de Almeida conhece Marcelino Mesquita, Gomes Leal e outros. Alfredo Mesquita, Luís Osório e António Nobre entusiasmam-no para a publicação da sua primeira obra “O Inventário de Junho”, que aparece a público em 1899.
Democrata e republicano desde muito jovem, colaborou assiduamente no diário A Luta, de Brito Camacho, de quem também era amigo pessoal. Após a implantação da República é convidado para exercer o cargo de ministro plenipotenciário de Portugal em Londres, especialmente sensível dada as relações tradicionais entre os dois países e o exílio em Inglaterra da ex-família real portuguesa. Em Abril de 1911, segue para a capital inglesa, apresentando credenciais ao rei Jorge V, em 11 de Outubro.
Numa Europa dominada por monarquias, que não via com bons olhos a nova República emergente, a sua acção diplomática revelou-se essencial, salientando-se a sua acção na entrada de Portugal na Grande Guerra, solicitada pelo Estado inglês. Esta colaboração custou-lhe a forte oposição dos sectores que se opunham à entrada de Portugal no conflito, tais como Brito Camacho, e a destituição do cargo durante o consulado de Sidónio Pais. Em 1919, depois da morte de Sidónio, desempenha o cargo de ministro de Portugal em Madrid, mas a breve trecho é reempossado nas suas antigas funções em Londres. Em 1922, é nomeado delegado de Portugal junto da Sociedade das Nações, desempenhando funções de vice-presidente.
Em 6 de Agosto de 1923, é eleito Presidente da República, cargo de que toma posse em 5 de Outubro do mesmo ano. De início, com o objectivo de se inteirar dos problemas, pede a António Maria da Silva para prosseguir no Governo, ao mesmo tempo que convida Afonso Costa. Depois deste ter, finalmente, declinado o convite, recomeçou a dança dos executivos.
Perante o quadro de efervescência política, social e militar, Teixeira Gomes, sentindo, por um lado, que as forças republicanas estão cada vez mais fragilizadas e desunidas, e, por outro, que não dispõe de poderes para poder intervir no quadro legal imposto pela Constituição, resigna do seu mandato, em 11 de Dezembro de 1925.
Em 17 de Dezembro desse ano, embarca no paquete grego Zeus, não regressando mais em vida a Portugal. Em 1931, instalou-se em Bougie, na Argélia, onde viveu os seus últimos dez anos. É desta localidade que continua a colaborar com o jornal O Diabo e com a revista Seara Nova. Morre em Bougie a 18 de Outubro de 1941.

Dimensão
Este fundo é composto por 10 pastas de arquivo, o que perfaz, aproximadamente 0.9 metros lineares.

Estado de Tratamento
Integralmente tratado.