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A censura foi, desde os primórdios da ditadura, uma das armas mais destruidoras da Cultura e da Cidadania.

A Ditadura Militar e, depois, o Estado Novo impuseram um férreo sistema de controlo do pensamento em Portugal, institucionalizando durante quase meio século a censura prévia e procedendo à proibição e apreensão sistemática de publicações, cortando e interditando representações teatrais, retalhando filmes, assaltando tipografias, etc.
Essas práticas foram acompanhadas por muitas formas de perseguição aos intelectuais, incluindo a sua prisão e “julgamento” nos tribunais políticos e o afastamento compulsivo das escolas e universidades onde ensinavam.
Na verdade, a censura tem sido ao longo da nossa história uma forte condicionante da vida cultural. Desde cedo, o país foi sujeito a leis que limitavam a liberdade de expressão, numa santa aliança entre os poderes régio e eclesiástico.

Reprodução para distribuição pública da representação entregue na Presidência da República em 22 de Novembro de 1946, por uma comissão de escritores, jornalistas e artistas, protestando contra a censura, a prisão indiscriminada e a demissão de docentes universitários.
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