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Mário Sottomayor Cardia
O acervo documental de Mário Sottomayor Cardia (1941-2006) foi entregue por Luísa Ducla Soares à Fundação Mário Soares, em regime de depósito, e reúne documentação essencialmente respeitante à actividade política e pedagógica de Sottomayor Cardia, quer no período do regime do Estado Novo, como posteriormente ao 25 de Abril de 1974.
Numa primeira fase foram já disponibilizados à consulta um conjunto de documentos relacionados com o movimento estudantil de 1961 a 1965, e com o processo disciplinar movido a Mário Sottomayor Cardia, enquanto aluno da Universidade de Lisboa, na sequência da Crise Académica de 1962.

Instituição
Fundação Mário Soares

Nota biográfica/Institucional
Mário Sottomayor Cardia.
Nasceu em 1941 e faleceu em 2006. Oposicionista à ditadura e dirigente estudantil.
Foi expulso do Liceu aos 14 anos por apoiar a independência da Índia portuguesa. Terminou os estudos liceais no Porto. O seu envolvimento na intervenção política acentuou-se durante a campanha eleitoral do general Humberto Delgado (1958).
Rumou a Lisboa para cursar Direito mas acabou por mudar para Filosofia, na Faculdade de Letras, licenciando-se em 1968.
Durante o seu percurso estudantil, foi director do jornal Grafia, em 1961. No ano seguinte foi um dos dirigentes das greves que marcaram a crise académica, tendo sido expulso por 30 meses de todas as universidades do país.
Colaborou também na revista Seara Nova, onde foi redactor, entre 1963 a 1972, e chefe de redacção desde 1968.
Apresentou-se como candidato à Assembleia Nacional, pela Oposição Democrática, em 1965 e 1969. Foi preso e espancado pela PIDE, em Outubro de 1970, experiência abordada em O Dilema da Política Portuguesa.
Aderiu ao Partido Comunista no início da década de 1960, mas divergências com o líder Álvaro Cunhal levaram-no a abandonar o partido e torna-se um dos membros fundadores do Partido Socialista, em 1973.
Foi porta-voz do PS após o 25 de Abril e director do jornal do partido, Portugal Socialista. Foi deputado à Assembleia Constituinte e, depois, à Assembleia da República, entre 1976 e 1983. Ocupou o cargo de ministro da Educação nos dois primeiros governos constitucionais de Mário Soares, de 1976 a 1978, e o de embro efectivo da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa entre 1983 e 1987.
Em 1994, anunciou a sua intenção de se candidatar às eleições presidenciais de 1996, o que não veio a acontecer. Fez o doutoramento em Filosofia, em 1992, e tornou-se professor de Ciência Política, desde a criação do curso em 1997, na Universidade Nova de Lisboa, onde já leccionava desde 1979, como professor auxiliar convidado.

Dimensão
Este fundo é composto por 4 pastas de arquivo, o que perfaz, aproximadamente 0.36 metros lineares.

Estado de Tratamento
Parcialmente tratado.