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Manuel Maria Sarmento Rodrigues
O fundo Sarmento Rodrigues (Manuel Maria Sarmento Rodrigues, 1899-1979), é composto, na sua maioria, por correspondência por este recebida, incidindo na política colonial do Estado Novo e no percurso militar e político do seu detentor, atravessando as décadas de 1930 a 1964.
A predominância é, todavia, para a correspondência da década de 1950, em particular no período em que Sarmento Rodrigues ocupou o cargo de ministro das Colónias e depois do Ultramar (1950-1955), embora seja de destacar igualmente o período em que este foi Governador da Guiné (1945-1948). Saliente-se a existência, neste conjunto epistolar, de várias cartas de Oliveira Salazar, bem como do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Cunha, e do Ministro do Ultramar, Raul Ventura (que sucedeu nesta pasta a Sarmento Rodrigues). A correspondência deste fundo encontra-se integralmente disponível à consulta.
Prevê-se também para breve a disponibilização de documentação ulteriormente integrada no fundo, nomeadamente alguns álbuns publicados pela Agência Geral das Colónias relativos às viagens presidenciais às colónias realizadas entre Julho e Agosto de 1938 (São Tomé e Príncipe e Angola) e entre Junho e Setembro de 1939 (Cabo Verde, São Tomé, Moçambique e Angola, assim como a visita do chefe de Estado à União Sul Africana), alguns títulos de imprensa, e um conjunto de dossiers respeitantes ao Governador Geral de Moçambique, Sarmento Rodrigues, e ao Ministro do Ultramar, Adriano Moreira (de Julho de 1961 a Junho de 1964).

Instituição
Fundação Mário Soares

Nota biográfica/Institucional
Manuel Maria Sarmento Rodrigues, natural de Freixo de Espada à Cinta, nasceu em 15 de Junho de 1899.
Frequentou o Liceu de Bragança e, posteriormente, os estudos preparatórios para oficial de Marinha na Universidade de Coimbra. Ingressou de seguida na Escola Naval, concluindo o curso de Marinha em 1921.
A sua carreira de oficial, que culminará no posto de contra-almirante em 1978, desenvolver-se-á essencialmente na área colonial, adquirindo vasta experiência e conhecimento que marcarão igualmente a sua acção política e administrativa.
Logo nos primeiros anos da sua vida militar destacou-se em diversos cargos e funções. Acabado o curso, seguiu no cruzador República para os Açores e, no ano seguinte, fez parte da viagem de apoio à travessia aérea do Atlântico Sul por Gago Coutinho e Sacadura Cabral.
Em 1925 foi ajudante de campo do Governador Geral da Índia. Em 1928 foi escolhido para Secretário de Estado do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Quintão Meireles.
Quando foi promovido a 1.º tenente, em 1931, foi nomeado capitão do Porto de Chinde, em Moçambique, sendo transferido em 1935 para o posto de Quelimane. Na sua estadia em Moçambique desenvolveu diversas missões de reconhecimento hidrográfico.
Frequentou a Escola de Guerra (1937) e entrou para o Estado Maior Naval, sendo, em 1939, promovido a capitão-tenente e a chefe do Estado Maior da Esquadrilha de Contratorpedeiros.
Frequentou a Escola Superior Colonial (renomeada mais tarde para Instituto Superior de Estudos Ultramarinos) entre 1940 e 1942, instituição onde viria também a leccionar em diversos anos.
Entre 1941 e 1945, no decurso da Segunda Guerra Mundial, comandou o contratorpedeiro Lima, desenvolvendo várias operações de salvamento de navios nos mares dos Açores, que conhecia profundamente, de várias outras missões anteriores, como seja a Missão Hidrográfica das Ilhas Adjacentes incumbida de fazer o levantamento dos mares dos Açores e Madeira.
Membro de uma tendência conservadora liberal e maçónica que apoiou o Estado Novo, foi considerado um homem de “esquerda” dentro do regime, que o levou a ser proposto por Marcelo Caetano para o cargo de Governador da Guiné, que exerceu entre 1945 e 1949. Aqui desenvolveu extenso trabalho na organização do território, e paralelamente impulsionou os estudos relacionados coma Guiné e a África Ocidental, criando, a colaboração de Avelino Teixeira da Mota, o Centro de Estudos da Guiné.
Em 1949 foi eleito deputado à Assembleia Nacional, tendo representado o círculo de Moçambique nas V, IV e VII legislaturas, entre 1949 e 1961, embora com o mandato suspenso em algumas sessões legislativas, devido à ocupação de cargos no governo.
Em 1950 foi convidado para ocupar a pasta do Ministério das Colónias, depois titulada de Ministério do Ultramar, na sequência da reforma administrativa de 1951. Como ministro, e profundamente conhecedor do Extremo Oriente e África, implementou uma vasta reforma do sistema de administração colonial. Remonta ao seu mandato o início do desenvolvimento do I Plano de Fomento, que decorreu de 1953 a 1958. Durante o seu ministério realizou também uma viagem ao Oriente, visitando a Índia, Macau e Timor, em 1952.
Ao longo da sua carreira, Sarmento Rodrigues fez parte de diversas instituições internacionais, como seja o Instituto Internacional de Civilizações Diferentes a que presidiu em 1956. Foi vice-presidente do Congresso Internacional para a Coordenação das Pesquisas Científicas em África em 1958 e participou em inúmeras outras conferências e congressos no domínio dos estudos e desenvolvimento colonial.
Um dos últimos cargos de relevo que desempenhou foi o de Governador Geral de Moçambique, de 1961 a 1964.
Ao longo da sua vida, publicou várias obras sobre assuntos navais e de administração colonial. Depois de reformado continuou a desenvolver a sua actividade de investigação histórica e social, e foi o primeiro presidente da Academia de Marinha.
Faleceu em Lisboa em 1 de Agosto de 1979.

Dimensão
Este fundo é composto por 39 pastas de arquivo

Estado de Tratamento
Parcialmente tratado.