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Info

Francisco Ramos da Costa
O acervo de documentos de Francisco Ramos da Costa (1913-1982) contém sobretudo correspondência trocada com destacados elementos da oposição ao Estado Novo, designadamente Fernando Piteira Santos, Mário Soares e Humberto Delgado, com os movimentos de libertação das colónias portuguesas, organizações internacionais socialistas e Confederação Internacional dos Sindicatos Livres.

Instituição
Fundação Mário Soares

Nota biográfica/Institucional
Francisco Ramos da Costa nasceu em 1913 e faleceu em 1982.
Oriundo de uma família de trabalhadores rurais de Alfarelos, foi trabalhar para Lisboa aos 11 anos como moço de recados.
Frequentou o Instituto Comercial e licenciou-se em Ciências Económico-Financeiras. Ao mesmo tempo, progride profissionalmente chegando a director do Hotel Avis.
No início de 1935 integra o Grupo de Amigos do Liberdade, juntamente com Álvaro Cunhal, Vasco de Magalhães Vilhena, Mário Dionísio e Álvaro Salema, jovens militantes comunistas que asseguram ao jornal republicano Liberdade uma orientação mais radical e de cariz marxista.
Nos finais dos anos de 1930 participa no lançamento da Frente Popular, a cuja comissão nacional pertence.
Foi preso a primeira vez em 1935, quando já era membro da comissão de organização do PCP. No final da década, era já membro do Comité Central.
Membro da Comissão Executiva do MUNAF e da comissão consultiva e de economistas do MUD na década de 1940. Continua a desenvolver intensa actividade clandestina, militando na direcção da organização militar do PCP com o pseudónimo Campos. Foi preso em 1947 e 1948, e novamente em 1949 na sequência das suas intervenções durante a campanha de candidatura de Norton de Matos à Presidência da República.
A partir de 1950-1951 crescem as suas posições críticas face ao sectarismo do PCP. Em 1951 colabora na promoção de uma concentração contra o Estado Novo em Portimão, aproveitando a trasladação do corpo de Teixeira Gomes, antigo Presidente da República. Embora a sua acção lhe mereça elogios na imprensa comunista, o Comité Central do PCP decide a suspensão. Em consequência, Francisco Ramos da Costa sai do partido.
Juntamente com Mário Soares, Piteira Santos e outros enceta uma tentativa de reagrupamento que toma forma em 1953 com a Resistência Republicana.
Em 1958 começa por apoiar Arlindo Vicente nas eleições para a Presidência da República, para depois ser activo apoiante de Humberto Delgado.
Envolvido na “Conspiração da Sé” que deveria eclodir em 11 de Março de 1959 e, depois, no golpe militar de Beja, foi informado de que a PIDE conheceria essa ligação e resolve fugir para Paris, onde fixa residência.
Foi um dos impulsionadores da Frente Patriótica de Libertação Nacional, na qual participa como representante da Resistência Republica. Esteve presente, nessa qualidade, nas conferências da FPLN de Roma (1962), Praga (1963) e Argel (1964).
No exílio, Francisco Ramos da Costa desenvolve intensa actividade de ligação ao movimento socialista e social democrata internacional. Foi um dos impulsionadores da reorganização do movimento socialista em Portugal, sempre em contacto com Mário Soares e Tito de Morais. Participou na criação da Acção Socialista Portuguesa em 1964, e mais tarde, será um dos fundadores do Partido Socialista, em 1973.
É por seu intermédio que o campo socialista, e Mário Soares em particular, estabelecem contacto com personalidades como Willy Brand e Olf Palme. Foi um dos principais responsáveis pela aceitação da Acção Socialista Portuguesa como membro de pleno direito na Internacional Socialista.
Em simultâneo, desenvolve relações com o meio sindical, designadamente com a Confederação Internacional dos Sindicatos Livres, divulgando a situação do movimento sindical português.
Após o 25 de Abril de 1974 regressou a Portugal acompanhando Mário Soares.
Veio posteriormente a ser nomeado Embaixador de Portugal na Dinamarca.

Dimensão
Este fundo é composto por 10 pastas de arquivo, o que perfaz, aproximadamente 0.9 metros lineares.

Estado de Tratamento
Integralmente tratado.