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Mário Ruivo

Nome do produtor
Mário João de Oliveira Ruivo. 1927-2016

Âmbito e conteúdo
O arquivo de Mário Ruivo é ilustrativo da sua atividade política e científica. Integram este arquivo documentos da oposição em Portugal (comunista, socialista, católica, movimentos unitários) e da oposição no exílio (FPLN, núcleos portugueses), fotografias, publicações científicas, recortes de imprensa nacional e internacional, publicações de instituições onde exerceu funções, como a FAO ou a ONU, uma coleção fotográfica onde se destacam duas séries ligadas à atividade de biólogo, relacionadas com as campanhas do bacalhau à Terra Nova, que acompanhou por volta de 1955, e com a campanha em que realizou mergulhos em profundidade no Batiscafo FRSN III, ao largo de Sesimbra, em 1957.
O arquivo contém uma série de publicações, como cadernos históricos, exemplares de programas políticos, publicações da oposição portuguesa no exílio, edições da Seara Nova e textos literários, bem como documentação das instituições onde Mário Ruivo exerceu funções: Conselho Geral da Universidade de Coimbra, Comité Português para a Comissão Oceanográfica Intergovernamental (CP COI), Conselho Nacional do Ambiente (CNADS) e do Desenvolvimento Sustentável e Comissão Mundial Independente para os Oceanos (CMIO).

Datas
1916 — 2016

Nota biográfica
Oceanógrafo e político.
Mário João de Oliveira Ruivo, natural de Campo Maior, no Alentejo, nasceu a 3 de março de 1927. Filho de João Pedro Ruivo e Idalina Beatriz Semedo de Oliveira.
Frequentou o Liceu em Évora e os estudos superiores em Lisboa. Foi militante do Partido Comunista Português (PCP) desde a sua juventude e um dos organizadores e dirigentes do MUD Juvenil, tendo sido preso em 1947 por fazer parte da direção universitária de Lisboa daquele movimento. Integrou o conselho editorial da revista Seara Nova em 1950. Nesse mesmo ano licenciou-se na Faculdade de Ciências de Lisboa, e ingressou no Instituto de Biologia Marinha como biólogo, onde se dedicou ao estudo da sardinha nas águas portuguesas, e mais tarde, aos estudos e registos biométricos sobre o stock de bacalhau na Terra Nova.
Em 1951 partiu para França, onde se especializou em Oceanografia Biológica e Gestão dos Recursos Vivos pela Universidade de Paris – Sorbonne em 1957, no Laboratoire Arago, em Banyuls-sur-mer, período em que contou com a colaboração de António de Barros Machado. Pela mesma altura, organizou a campanha científica do NRP Faial nas águas portuguesas, e levou a cabo mergulhos em profundidade no Batiscafo FNRS III, cujas observações contribuíram para a identificação de organismos bentónicos pouco conhecidos na região portuguesa e de novas espécies para a ciência.
Paralelamente ao seu percurso profissional, continuou ativo politicamente no meio da oposição democrática em Portugal, razão pela qual acabou por ter de se refugiar em Itália. Em 1961 foi recrutado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), com sede em Roma, como responsável pela Divisão de Recursos Aquáticos e do Ambiente, onde permaneceu durante treze anos. Foi nessa cidade que, em 1963, participou na conferência que decidiu a criação da Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN). Em 1972 organizou a 1ª Conferência sobre Poluição do Meio Marinho e no ano seguinte editou as “Fichas de identificação das Espécies para as Necessidades da Pesca”.
Regressou a Portugal em abril de 1974 para ocupar o cargo de secretário de estado das Pescas, que ajudou a criar, nos II, III e IV Governos Provisórios e foi ministro dos Negócios Estrangeiros no V Governo Provisório. Foi também a partir desse ano, e até 1982, que participou nos trabalhos da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar e na Conferência Internacional sobre Oceanografia. Entre 1980 e 1988, foi secretário geral da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO, em Paris.
Foi conselheiro científico da EXPO’98, exposição mundial subordinada ao tema “O Oceano – Um Património para o Futuro”, coordenador da Comissão Mundial Independente para os Oceanos, presidida por Mário Soares, membro da Comissão Estratégica dos Oceanos, membro da Direção do Centro Nacional de Cultura, membro da Sociedade de Geografia de Lisboa e da Secção de Geografia dos Oceanos.
Entre os últimos cargos que desempenhou, destacam-se o de presidente do Comité Português para a Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO, presidente da Comissão Oceanográfica Intersectorial do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, presidente do European Centre for Information on Marine Science and Technology (EurOcean), presidente da Assembleia-Geral da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais (SPCN), presidente da Federação Portuguesa das Associações e Sociedades Científicas (FEPASC), Presidente da Direcção do Fórum Permanente para os Assuntos do Mar (FPAM), Presidente do Conselho Científico das Ciências do Mar e do Ambiente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS).
Foi um cientista pioneiro na defesa dos oceanos e empenhado nas questões da cidadania, tendo recebido o Prémio Cidadão Europeu em 2015.
Morreu em Lisboa, a 25 de janeiro de 2017.

Documentação relacionada
Arquivos FMSMB: Comissão Mundial Independente para os Oceanos.

Dimensão
192 unidades de instalação

Estado de Tratamento
Parcialmente tratado