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Ingeborg Lippmann

Nome do produtor
Ingeborg Lippmann. 1927-1998

Âmbito e conteúdo
O arquivo de Lippmann é constituído por 6 278 registos fotográficos (2 411 negativos a preto e branco, 3 081 diapositivos e 656 provas fotográficas) e 52 documentos textuais, incluindo os seus textos de reportagens, correspondência com os editores de revistas e jornais, legendagem das fotografias, boletins noticiosos, credenciais, entre outros materiais produzidos no contexto das reportagens nos países e territórios do Médio Oriente, Europa, África e América do Sul.
O arquivo documenta, entre outros eventos, a Guerra Civil Libanesa, a transição para a independência de Angola e Moçambique e a Guerra Civil Angolana. Um conjunto substancial de imagens corresponde a registos de vida selvagem, onde se destaca a fauna africana. O arquivo também inclui histórias de Lippmann sobre as cidades históricas de Istambul, Cairo, Palmira, Damasco e Tiro e uma coleção de fotografias de Portugal durante os anos 60.

Datas
1960 — 1996

Nota biográfica
Fotojornalista
Nasceu em Berlim.
Cidadã norte-americana que se dedicou ao fotojornalismo, especializando-se na cobertura de conflitos no Médio Oriente e em África.
Ingeborg Lippmann começou a sua carreira de fotojornalista profissional em 1963, na United Press International em Lisboa, percorrendo o país e registando aspetos do quotidiano da população portuguesa, focando em particular as crianças e os jovens. Durante os anos 60, cobriu a guerrilha em Moçambique e no Zimbabwe. Em 1971 publicou um livro fotográfico, de cariz etnográfico, sobre um jovem pescador de Peniche, “A Fisherboy of Portugal”.
Entre 1974 e 1976, Lippman, à época correspondente do jornal “The New York Times”, dedicou especial atenção às mulheres em dois projetos fotográficos. Em Portugal, no Alentejo, onde registou o trabalho no campo das mulheres no contexto da Reforma Agrária, e em Moçambique, onde retratou as guerrilheiras da FRELIMO e as sessões de informação que se destinavam a promover, junto das populações locais, a emancipação e libertação das mulheres no país recém-independente.
Acompanhou também a transição de Angola e Moçambique para a independência. Em setembro de 1974, entrevistou o líder da UNITA, Jonas Savimbi, na região de Sakalemba. No dia 25 de junho de 1975, registou a cerimónia da independência e a tomada de posse do Presidente Samora Machel no estádio da Machava, em Maputo. O início da guerra civil levou Lippman de volta a Angola, onde permaneceu perto de dois meses em território controlado pela UNITA, produzindo uma série de reportagens para o “The New York Times” sobre a retirada de colonos portugueses e cidadãos africanos do Huambo, o conflito entre o MPLA, a UNITA e a FNLA, a cisão da coligação UNITA e FNLA e a intervenção estrangeira na guerra.
A paixão de Lippmann pela fauna africana é visível nas fotografias dos parques nacionais de Gorongosa (Moçambique), Amboseli (Quénia), Etosha (Namíbia) e no Parque Nacional dos Vulcões de Virunga (Ruanda), onde pôde observar de perto os gorilas-das-montanhas, no âmbito de uma reportagem para a revista “Time”.
No final dos anos 80 e durante os anos 90, Lippmann realizou uma série de reportagens em que retratou a diversidade social, económica, política, cultural e religiosa de cidades do Médio Oriente, como o Cairo, Istambul, Palmira, Damasco e Tiro, buscando as raízes históricas e civilizacionais dos conflitos de que foram palco.
A partir de Beirute, Lippmann cobriu sistematicamente a guerra civil libanesa, abordando as diferentes dimensões do conflito em reportagens que descrevem os eventos que conduziram ao deflagrar da guerra, assim como o seu impacto na sociedade, e a história dos refugiados palestinianos no Líbano, após a partição da Palestina.
Morreu em Lisboa, em janeiro de 1998.

Dimensão
14 unidades de instalação

Estado de Tratamento
Parcialmente tratado