Henrique Teixeira de Queirós Barros. 1904-2000
O arquivo inclui um conjunto de documentos produzidos por Henrique de Barros e seu pai, o pedagogo e escritor João de Barros, sobre temáticas políticas: duas cartas dirigidas a João de Barros (1931 e 1946), folheto com o hino da Internacional, publicado no Rio de Janeiro (1946), com dedicatória manuscrita de Roberto das Neves, comunicados do MUD e do MUD Juvenil (1946-1948), e documentos da candidatura de Norton de Matos à Presidência da República, recortes de imprensa estrangeira sobre a situação política em Portugal, um exemplar do semanário anarquista "Acção Directa" (1946), um boletim antifascista "Voz do Povo" (1945), e alguns exemplares e suplementos da "Seara Nova" (1945), no contexto das eleições e da campanha promovida pelo MUD.
1931 — 1949
Professor e político.
Nasceu a 7 de outubro de 1904 na freguesia da Sé Nova, em Coimbra. Filho do escritor e pedagogo João de Barros (1881-1960) e de Raquel Teixeira de Queirós (1880-1971). Neto paterno do 1.º Visconde da Marinha Grande, Afonso Ernesto de Barros (1836-1927), era irmão de Teresa Teixeira de Queirós de Barros Caetano, mulher de Marcello Caetano (1906-1980).
Licenciado em Economia Agrária (1927) pelo Instituto Superior de Agronomia, destacou-se na investigação e docência. Professor Catedrático desde 1939, foi afastado em 1947 por razões políticas, retomando funções em 1957. Lecionou também na Universidade de Luanda.
Opositor do Estado Novo, integrou o Movimento de Unidade Democrática (1945) e apoiou as candidaturas de Norton de Matos, Quintão Meireles e Humberto Delgado. Em 1969, liderou a lista da oposição por Coimbra.
Após a Revolução, integrou o Conselho de Estado a convite de Spínola e aderiu ao Partido Socialista no final de 1974. Eleito deputado à Assembleia Constituinte, foi presidente deste órgão em 1975.
Deputado à Assembleia Constituinte, pelo Partido Socialista, foi eleito presidente em 5 de junho de 1975.
Integrou o I Governo Constitucional, como Ministro de Estado, destacando-se a sua intervenção na criação do Instituto António Sérgio do Sector Cooperativo e da Reestruturação da Comissão da Condição Feminina. Foi Conselheiro de Estado, entre 1974-75 e 1982-86, e Presidente do Conselho Nacional do Plano.
Em 1981, afastou-se do PS e aproximou-se do PRD, sendo candidato independente por Lisboa (1986).
Distinguido com várias condecorações, incluindo a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, foi Doutor Honoris Causa pela Universidade de Évora e autor de vasta obra sobre economia agrária e cooperativismo.
Faleceu a 27 de agosto de 2000, em Lisboa.
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