Francisco Pulido Valente. 1884-1963; Maria da Conceição Pinheiro dos Santos; Fernando Manuel dos Santos Pulido Valente. 1924-2016; Francisco Eduardo Pulido Valente; Lúcio Pinheiro dos Santos
O arquivo da família Pulido Valente ilustra o percurso de Francisco Pulido Valente, desde a formação na Escola Médico-Cirúrgica até às atividades que desempenhou como médico e professor, refletindo o seu interesse pela cultura, pelas ciências e pela medicina, em particular a área da Psiquiatria, na qual se especializou. Inclui também estudos de autores como Manuel Valadares, Celestino da Costa, António da Silveira, Aureliano Mira Fernandes, Araújo Moreira, Orlando Ribeiro, António Sérgio, Amorim Ferreira, e Mário de Alenquer, publicações sobre figuras do republicanismo, e documentos produzidos pela oposição à Ditadura Militar e ao Estado Novo, e pelos movimentos anti-coloniais e de colonos independentistas.
Integra documentação relacionada com a sua vida pessoal e percurso académico e militar e uma biblioteca que representa os diversos géneros literários que cultivou.
A documentação produzida por Fernando Pulido Valente entre 1974 e 2002 é constituída por imprensa portuguesa e estrangeira, e recortes de noticiários. Inclui ainda documentos relativos à atividade de organizações partidárias após o 25 de Abril de 1974, como o MDP/CDE, o PCP(R), o PCP, a UDP, a LUAR, o PUP, o FSP e o MRPP, e apontamentos relativos às eleições autárquicas, legislativas e presidenciais (1975-1986), assim como documentação relacionada com sindicatos e reivindicações de trabalhadores.
O arquivo contém documentos sobre Lúcio Pinheiro dos Santos, irmão da sua esposa, a pianista Maria da Conceição Pinheiro dos Santos.
1838 — 2018
Francisco Pulido Vante
Professor e médico.
Nasceu em Lisboa, a 25 de dezembro de 1884. Concluiu o curso na Escola Médica-Cirúrgica de Lisboa com uma tese inaugural sobre a histeria, iniciando a sua carreira profissional em 1911. Foi médico efetivo da Junta Consultiva dos Hospitais Civis de Lisboa e primeiro assistente da cadeira de Psiquiatria, tutelada pelo professor Júlio de Matos.
O seu interesse pela Psiquiatria levou-o a uma investigação detalhada sobre os mecanismos causadores da doença na sífilis terciária ou cerebral, que realizou no Instituto Bacteriológico Câmara Pestana até 1917, a qual teve como resultado a publicação de três monografias internacionalmente reconhecidas. Alistou-se no Corpo Expedicionário Português, o qual serviu em França de 1917 a 1919. Após a desmobilização, iniciou a carreira académica, sendo nomeado professor ordinário de Patologia e Terapêutica Médicas em 1921, e encarregado da regência da 2.º Clínica Médica em 1924.
Na sequência da aprendizagem intensiva de técnicas laboratoriais e da leitura da literatura médica alemã, uma das mais avançadas da época, foi responsável pela introdução em Portugal de uma Medicina que já era praticada noutros países, e que se baseava no diagnóstico e na integração dos dados clínicos e laboratoriais, conduzindo ao reconhecimento de uma particular disfunção, explicando os sinais e sintomas da função alterada através da interação entre o agente agressor e a reposta defensiva do organismo.
Foi um destacado membro da organização estudantil de Lisboa durante a greve académica de 1907. Após a sua demissão da Universidade em 1947, continuou a exercer medicina numa clínica privada. Participou na campanha eleitoral do General Norton de Matos (1948-1949) e foi membro da Comissão de Honra da Candidatura do General Humberto Delgado (1958).
Morreu a 20 de junho de 1963.
Fernando Manuel dos Santos Pulido Valente nasceu em Lisboa, a 21 de agosto de 1924, sendo filho do professor e médico Francisco Pulido Valente, e de Maria da Conceição Pinheiro dos Santos.
Casou em 1952 com Maria Beatriz Guedes Cabral de Campos, de quem teve três filhos.
Fez parte da Comissão Central do MUD Juvenil entre 1946 e 1948.
Presidiu à Fundação Francisco Pulido Valente.
Morreu a 19 de janeiro de 2016.
9 unidades de instalação
Não tratado