Jaime Alberto de Castro Morais. 1882-1973
O arquivo de Jaime de Morais é constituído por documentação que ilustra o seu percurso pessoal e as atividades que desempenhou no âmbito militar e político, bem como a sua produção intelectual, muito embora nem todas estejam cobertas pela documentação, sendo percetíveis diversas lacunas.
Abrange diversas fases da vida de Jaime de Morais, desde o início da sua carreira na Armada até aos sucessivos exílios, na oposição ao regime do Estado Novo, ilustrando os documentos as suas estadias como exilado político, em Espanha, Bélgica, França e, especialmente, no Brasil, onde viveu desde os anos 40 até à sua morte, em 1973.
Contém um conjunto de documentação relacionada com as suas tentativas de obter a reintegração e reforma na Marinha, de onde foi demitido na sequência da participação no movimento revolucionário de fevereiro de 1927, e alguns documentos pessoais, como a certidão de casamento, o diploma da Ordem Militar de Cristo (com a qual foi agraciado em 1925), certificados de registo criminal e de inscrição no Consulado de Portugal no Rio de Janeiro, entre outros.
A correspondência constituiu um dos núcleos mais relevantes, espelhando as relações de amizade e os contactos estabelecidos por Jaime de Morais no contexto profissional (caso da correspondência estabelecida no Brasil relativa aos negócios da Covibra, onde trabalhou), mas em particular a sua faceta de opositor ao regime de Salazar, que o levou a corresponder-se com diversas personalidades, algumas das quais exiladas no Brasil, como é o caso de Sarmento Pimentel ou de Humberto Delgado.
O arquivo inclui igualmente numerosos artigos da autoria de Jaime de Morais, na maior parte datiloscritos com emendas manuscritas, alguns acompanhados do recorte do jornal onde foram publicados, maioritariamente do período do exílio brasileiro. Uma parte destes artigos são sobre Angola, incluem mapas desenhados e coloridos à mão e registos etnográficos.
A coleção de fotografias ilustra em particular a sua passagem por África, no início da sua carreira, incluindo o serviço prestado na Divisão Naval do Atlântico Sul e, sobretudo, os anos em que esteve em Angola. Existem igualmente imagens de diversas outras colónias (Cabo Verde, S. Tomé, Moçambique e Goa) numa coleção de bilhetes postais ilustrados.
Entre as fotografias contam-se ainda alguns retratos de Jaime de Morais, fotografias de família e de amigos.
Os documentos de data posterior ao falecimento de Jaime de Morais, que se encontravam junto com o seu arquivo, dizem respeito a correspondência recebida pela família por ocasião do seu falecimento (condolências) e ainda a um conjunto de cartas e apontamentos diversos do seu filho Óscar de Morais, que durante algum tempo se encarregou da organização do arquivo.
1906 (aproximada) — 1984 (aproximada)
Médico, militar, político e jornalista.
Jaime de Morais nasceu em Chacim, Macedo de Cavaleiros, a 13 de julho de 1882. Concluiu o curso de Medicina no Porto (1904).
Foi médico e oficial da Armada. Esteve destacado na divisão naval do Atlântico Sul (1906-1910) e na estação naval da Guiné (1908). Participou nas campanhas de pacificação e ocupação nos distritos do Cuanza e Malanje, e na construção do Caminho de Ferro de Ambaca.
Participou na revolução de 5 de Outubro de 1910, combatendo mais tarde a Monarquia do Norte (1919).
Foi secretário-geral do Governo da Província de Angola (1911-1912), governador do Distrito do Congo (1914), governador geral interino de Angola (1917), e governador geral da Índia (1919-1925).
Foi um dos líderes da revolução do 3 de Fevereiro de 1927 no Porto, na sequência da qual foi demitido da Armada e deportado para São Tomé, de onde fugiu para Paris. Constituiu em Madrid, com Jaime Cortesão e Moura Pinto, o grupo revolucionário Budas, e subscreveu, com outros exilados, um manifesto de solidariedade para com a República espanhola (1936).
Circulou entre Madrid e Paris em reuniões que precederam a criação da Frente Popular Portuguesa (1936). Foi repórter do jornal “UNIR” da Frente de Portugueses Exilados, em Barcelona. Após a derrota dos republicanos em Espanha, foi internado num campo de concentração espanhol, conseguindo libertar-se e refugiar-se na Bélgica.
Foi preso em Vilar Formoso (1940) e expulso do território nacional, exilando-se no Brasil, onde prosseguiu a campanha contra a ditadura de Salazar.
Morreu em Niterói, a 20 de dezembro de 1973.
Arquivos FMSMB: Manuel Mendes/MNAC; Bernardino Machado e Benardino Machado (correspondência).
12 unidades de instalação
Parcialmente tratado