Guida Lami Dias da Silva. 1921-2019
O arquivo de Guida Lami é constituído por documentação relacionada com a sua atividade política e científica (c.1935 a 1948), com a colaboração com Bento de Jesus Caraça e um círculo de amigos com quem partilhava a paixão pela matemática, a divulgação científica, e os ideais humanistas. O arquivo inclui uma coleção de fotografias de família, amigos e viagens (1933-1942), retratando os passeios à Serra da Estrela, onde nasceu a Comuna Estrela (1940); uma carta de José Rodrigues Miguéis; algumas páginas com assinaturas das listas do MUD; correspondência; objetos, destacando-se uma pulseira em osso da autoria de um internado no Campo de Vernet; livros; um núcleo de documentação produzida por Maria Alice Lami, e guardada pela sua irmã Guida Lami, contendo documentos relacionados com o património e a museologia, e correspondência familiar.
1898 (aproximada) — 2005 (aproximada)
Engenheira eletrotécnica.
Guida Lami Dias da Silva nasceu em Lisboa, em 1921. Filha de Álvaro Palma Lami e de Carlota Peixoto de Almeida Lami. A família partiu para França no mesmo ano, aquando a colocação do seu pai, oficial da Marinha, naquele país, no contexto da participação de Portugal na I Guerra Mundial. Regressou a Portugal para prosseguir os estudos, ingressando na licenciatura de Engenharia Electrotécnica do Instituto Superior Técnico, sendo a primeira mulher a formar-se nesta área em Portugal.
Fez parte da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, fundada em 1940, instituição através da qual iniciou, juntamente com a sua irmã Maria Alice Lami, um programa de auxílio aos prisioneiros dos campos de internamento do sul de França e da Argélia, sob a direção de Bento de Jesus Caraça. Foi membro fundador da Sociedade Portuguesa de Matemática, criada a 12 de dezembro de 1940. Colaborou com Bento de Jesus Caraça em diversos trabalhos, designadamente na execução da parte gráfica dos Conceitos Fundamentais da Matemática, parcialmente publicados na Biblioteca Cosmos, em 1941 e 1942. Ainda estudante, lecionou o curso “Energia Atómica para Operários”, na Universidade Popular Portuguesa. Foi também uma das assinantes das listas do Movimento de Unidade Democrática (MUD).
Participou ativamente nos colóquios realizados por estudantes do Instituto Superior Técnico em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Matemática, chegando a dar no seu 4º ano um colóquio sobre os Problemas Clássicos de Geometria. Foi convidada pela redação da Gazeta de Matemática para responsável da secção Clubes de Matemática.
No decurso da vida profissional, foi diretora dos Serviços Internacionais da Direção Geral da Energia e secretária-geral da Associação Portuguesa de Energia, associação constituída em 20 de junho de 1988 (com a denominação Comissão Nacional Portuguesa da Conferência Mundial da Energia - CNP-CME), da qual foi sócia singular.
Em 2001, participou na publicação "Bento Jesus Caraça: perspectivas sobre o homem e a obra", da autoria do Instituto Politécnico da Guarda, com os artigos “Ah, não gosta de Matemática, então vai passar a gostar” e “Conceitos fundamentais da Matemática: algumas reflexões sobre o seu conteúdo e alcance pedagógico”. Em 2004 publicou o artigo "Ética em Energia" na obra “Engenharia em Portugal no século XX”.
Mais tarde participou no colóquio comemorativo "Os 70 anos dos Conceitos Fundamentais da Matemática de Bento de Jesus Caraça", em representação da Sociedade Portuguesa de Matemática, com a comunicação intitulada "Conceitos Fundamentais da Matemática: algumas reflexões sobre o seu conteúdo e alcance pedagógico", que teve lugar no Instituto para a Investigação Interdisciplinar da Universidade de Lisboa, em 25 de outubro de 2012.
Morreu em Lisboa, a 24 de março de 2019.
Arquivos FMSMB: Bento de Jesus Caraça: Atividade cultural, política e científica; Mário e Alice Chicó: Maria Alice Lami Chicó.
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