Renascença Gráfica
O arquivo é constituído pelas coleções praticamente completas de duas publicações periódicas de referência, propriedade da Renascença Gráfica e intimamente ligadas à família Ruella Ramos: o "Diário de Lisboa" e o "Sempre Fixe".
O "Diário de Lisboa" (1921-1990) foi um jornal vespertino que se afirmou como um dos títulos mais importantes do século XX português, conhecido como o "jornal dos intelectuais". Ao longo dos seus 70 anos de atividade, foi um resistente ao Estado Novo, praticando a "oposição possível" sob censura, e acompanhou de forma empenhada o período revolucionário pós-25 de Abril. Destacou-se pela qualidade dos seus suplementos culturais, como o "Suplemento Literário", "A Mosca" e o "Juvenil", e pela colaboração de figuras centrais da cultura e jornalismo nacionais, entre as quais se contam Fernando Pessoa, Aquilino Ribeiro, José Saramago, Almada Negreiros e a sua própria redação, composta por nomes notáveis do jornalismo português. A coleção termina com o último número de 30 de novembro de 1990, que noticiou o seu próprio encerramento.
O "Sempre Fixe" (1926-1961) foi um semanário humorístico fundado por Pedro Bordallo Pinheiro, especializado em sátira de costumes. Reuniu os melhores cartoonistas da sua época, como Carlos Botelho (com a página "Ecos da Semana"), Almada Negreiros, Stuart Carvalhais, Francisco Valença, Jorge Barradas, Bernardo Marques, Amarelhe, Roberto Nobre, Paulo Ferreira, Alfredo Morais, Leal da Câmara, Manuel Monterroso, Carlos Ribeiro, Pargana, Rocha Vieira e Tom. Beneficiou ainda da colaboração literária de grande parte da redação do Diário de Lisboa, afirmando-se como uma publicação de referência no seu género.
1921 — 1990
Família ligada à imprensa portuguesa através da propriedade e administração da Renascença Gráfica, empresa proprietária e editora do "Diário de Lisboa". A sua ligação ao jornal estabeleceu-se através de Germana Vieira Pinto, filha de Alfredo Vieira Pinto, acionista da Renascença Gráfica desde a constituição da empresa, em 1921, e do seu marido, João Ruella Ramos. Após a morte de Alfredo Vieira Pinto, em 1952, João Ruella Ramos assumiu funções de administrador da Renascença Gráfica, em 1953. Sucedeu-lhe o filho António Pedro Ruella Ramos, que presidiu ao conselho de administração e, a partir de 1967, assumiu também a direção do "Diário de Lisboa". No final da década de 1960, a família reforçou a sua posição na empresa através da aquisição da participação dos herdeiros de Joaquim Manso, passando a deter a maioria do capital da Renascença Gráfica. Outros membros da família participaram na administração da empresa, designadamente Maria do Carmo Ruella Ramos, responsável pelos recursos humanos a partir de 1970. A família manteve a ligação ao "Diário de Lisboa" até ao encerramento do jornal, em 1990, preservando posteriormente a respetiva coleção.
Recursos externos: Arquivo Nacional Torro do Tombo - Fundo Diário de Lisboa. Livro "O Essencial sobre o Diário de Lisboa", de Claudia Lobo.
264 unidades de instalação
Parcialmente tratado
Por se tratar de um acervo de características especiais, e pelo seu grande interesse para investigadores e leitores em geral, desenvolvemos uma
interface especial de acesso ao Diário de Lisboa, que possibilita a navegação por data de forma intuitiva e simples.