Mário Viçoso das Neves. 1912-1993; Hermano António da Silva Neves. 1884-1929; António Joaquim das Neves. 1862-1927?
O arquivo de Mário Neves é constituído por documentação reunida ao longo de três gerações da mesma família, abrangendo o seu pai e avô. Inclui correspondência, recortes e imprensa, apontamentos e documentação pessoal e familiar, documentos relacionados com as atividades profissionais de Mário Neves, Hermano Neves e António Joaquim das Neves, e um conjunto de correspondência anterior e posterior ao 25 de Abril de 1974, maioritariamente dirigida a Mário Neves e a seu pai.
A documentação ilustra a atividade de Mário Neves enquanto jornalista, publicista, conferencista, secretário de Estado da Emigração e embaixador de Portugal na URSS, e as funções que desempenhou na Associação Industrial Portuguesa, no Instituto Português de Oncologia e como membro de diversas associações.
O núcleo pertencente a Hermano Neves contém, além de correspondência, diversa produção jornalística e artística, propaganda e imprensa republicana.
Relativamente a António Joaquim das Neves, a documentação incide sobretudo na sua atividade como professor.
O arquivo contém uma coleção fotográfica sobre a Roça Rio do Ouro, em São Tomé, e a Revolta da Madeira de 1931, entre outros temas, correspondendo sobretudo à primeira metade do século XX.
1881 — 1990
Jornalista, publicista, político e embaixador.
Mário Viçoso das Neves nasceu em Lisboa, a 18 de janeiro de 1912. Filho de Hermano Neves e de Evangelina Viçoso, tendo sido educado por Albertina Moreira Rato da Cunha Neves.
Quando o seu pai faleceu, Mário Neves tinha 17 anos, encontrando-se no penúltimo ano do curso de liceu. Optou por se empregar no jornal “O Século” para assegurar a sua formação, onde se manteve até 1933. Posteriormente, ingressou no “Diário de Lisboa”, fazendo parte da redação deste jornal entre 1931 e 1967 (diretor-adjunto desde 1958). Em maio de 1945, fundou com José Ribeiro dos Santos a revista “Ver e Crer”. Em 1968 foi um dos fundadores do jornal “A Capital” (2.ª série), onde exerceu o cargo de diretor-adjunto até 1971, ano em que abandonou a profissão.
Correspondente na Guerra Civil Espanhola, Mário Neves assistiu à chacina que as tropas falangistas de Franco infligiram à população desta cidade, experiência que relatou no livro “A Chacina de Badajoz”.
Em 1932 assumiu a direção dos serviços de Publicidade e Propaganda do Instituto Português de Oncologia visando a intensificação da luta contra o cancro. Fundou o boletim do mesmo instituto. Foi também nomeado secretário da comissão incumbida de constituir os hospitais escolares de Lisboa e Porto. Nessa qualidade secretariou a missão de estudo chefiada por Gentil Martins a quase todos os países da Europa em 1935.
Em 1937 obteve o grau de bacharel em Direito na Universidade de Lisboa, vindo a concluir mais tarde a respetiva licenciatura. Nesse ano realizou uma viagem aos Estados Unidos da América, visando o estudo do desenvolvimento da propaganda contra o cancro, da administração hospitalar e da construção de hospitais. Posteriormente foi convidado para administrador do Instituto Português de Oncologia (julho de 1938), demitindo-se em julho de 1948. Foi também secretário-geral da Liga Contra o Cancro.
Ingressou nos quadros da Associação Industrial Portuguesa, como chefe dos Serviços de Propaganda Económica, e, após a criação do cargo de diretor-geral, como seu primeiro titular, até 1972. No âmbito do seu trabalho na AIP organizou a Feira das Indústrias Portuguesas (1949-1959) e posteriormente a Feira Internacional de Lisboa, como Comissário-Geral e, nos últimos anos, como vice-presidente. Coordenou as feiras industriais de Goa (1952), Guimarães (1953), Luanda (1954) e Lourenço Marques (1956). Foi Comissário-adjunto da representação portuguesa na Exposição de Bruxelas em 1958. Participou ativamente na União das Feiras Internacionais, como membro e presidente da respetiva Comissão Técnica, integrando a delegação que protagonizou a negociação da integração dos soviéticos naquele organismo internacional.
Em 1974, após o 25 de Abril e o estabelecimento das relações luso-soviéticas, foi o primeiro embaixador de Portugal na URSS, onde permaneceu até 1977, período em que exerceu também o cargo de embaixador não residente na Mongólia e na Coreia do Norte.
De regresso a Portugal, presidiu à Comissão do Livro Branco dos Negócios Estrangeiros, cargo que abandonou em 1982 por ter atingido o limite de idade, aposentando-se pouco tempo depois.
Foi titular da Secretaria de Estado da Emigração do V Governo Constitucional. Integrou a Comissão do Ministério dos Negócios Estrangeiros para estudar o desenvolvimento das relações económicas com a URSS, tendo sido ainda o signatário do Acordo de Navegação Mercante Luso-Soviética.
Em 1985 foi incumbido do cargo de orador oficial da sessão solene das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. É galardoado, de entre outras condecorações, com as comendas da Ordem da Liberdade, da Ordem da Coroa da Bélgica, da Ordem do Mérito Industrial, do Cruzeiro do Sul do Brasil e com os títulos de Grande Oficial da Ordem Nacional de Mérito de França e da Ordem de Mérito da República Federal da Alemanha.
Morreu em Lisboa, a 1 de janeiro de 1999.
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