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Maria Barroso

Nome do produtor
Maria de Jesus Simões Barroso Soares. 1925-2015

Âmbito e conteúdo
O arquivo reúne documentação produzida e acumulada por Maria Barroso no âmbito da sua atividade artística, cívica e política. É constituído por fotografias, discursos, recortes de imprensa, cópias dactilografadas de artigos, documentação relativa à vigilância da PIDE e outros documentos.
A documentação testemunha o percurso de Maria Barroso como atriz e declamadora, incluindo a sua participação em espetáculos teatrais e recitais de poesia, bem como a receção crítica dessas iniciativas.
Integra igualmente documentação relativa à sua atividade política e de oposição ao Estado Novo, destacando-se o discurso proferido no III Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro, em 1973, e o processo da PIDE respeitante à sua vigilância.
O conjunto inclui ainda fotografias de diferentes momentos da sua vida pessoal, familiar e pública, retratando a infância, a formação artística, a carreira teatral, a atividade política, campanhas eleitorais, visitas oficiais, ações de solidariedade e relações institucionais, bem como a sua ligação a Mário Soares, à família e a diversas personalidades da vida política, cultural e artística portuguesa e internacional.

Datas
1929 — 1993

Nota biográfica
Atriz, professora e política.
Maria de Jesus Simões Barroso Soares nasceu na Fuzeta (Olhão), a 2 de maio de 1925, filha de Maria da Encarnação Simões Barroso, professora primária, e de Alfredo José Barroso, oficial do Exército e oposicionista à Ditadura Militar.
Frequentou os liceus Dona Filipa de Lencastre e Pedro Nunes, em Lisboa, concluindo, em 1943, o Curso de Arte Dramática do Conservatório Nacional. Posteriormente licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde conheceu Mário Soares, com quem casou em 1949 e de quem teve dois filhos, João e Isabel.
Iniciou a sua carreira como atriz em 1944, integrando posteriormente a companhia de Amélia Rey Colaço–Robles Monteiro, no Teatro Nacional D. Maria II. Desenvolveu igualmente atividade no cinema e destacou-se como declamadora de poesia. A sua intervenção artística esteve intimamente ligada à oposição ao Estado Novo, tendo sido proibida de representar e de lecionar pelo regime.
Participou ativamente no Movimento de Unidade Democrática (MUD), no MUD Juvenil e em diversas campanhas da oposição democrática, nomeadamente as candidaturas presidenciais de Norton de Matos e Humberto Delgado, sendo ainda candidata da Comissão Democrática Eleitoral (CDE) às eleições legislativas de 1969 e participante no III Congresso da Oposição Democrática, em 1973. Foi também uma das fundadoras do Partido Socialista.
Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, foi eleita deputada à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República, exercendo vários mandatos entre 1975 e 1983. Como mulher do Presidente da República Mário Soares (1986–1996), dedicou-se intensamente a causas sociais, humanitárias e culturais. Fundou ou presidiu a diversas instituições, entre as quais a Fundação Pro Dignitate, a Cruz Vermelha Portuguesa e a Fundação Aristides de Sousa Mendes, distinguindo-se pela defesa dos direitos humanos, da educação, da paz e da solidariedade. Recebeu numerosas condecorações nacionais e internacionais, entre as quais a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.
Faleceu em Lisboa, a 7 de julho de 2015.

Documentação relacionada
Arquivos FMSMB: Isabel Soares; João Barroso Soares; João Lopes Soares; Mário Soares.

Dimensão
5 unidades de instalação

Estado de Tratamento
Parcialmente tratado