Christine Messiant-Gerber. 1947-2006
O arquivo de Christine Messiant é constituído por documentação produzida essencialmente entre os anos 1970 a 1990, no âmbito do seu percurso de investigação, como dossiês relacionados com a publicação de artigos científicos, livros, e comunicações em conferências, e com a sua participação em projetos editoriais, como a revista Lusotopie, e material de dinamização de seminários.
A documentação deste arquivo ilustra o seu trabalho de investigação na área da sociologia política e da sociologia económica, em que se debruçou sobre temas como os sistemas políticos e sociais, a transição para a democracia, as guerras e os processos de pacificação, os conflitos e as recomposições regionais, os nacionalismos, a identidade e a cidadania em África, entre outros.
O arquivo contém apontamentos e notas de leitura de Christine Messiant; materiais do mestrado e doutoramento; cópias de documentos consultados em arquivos; documentos relacionados com as suas deslocações; dossiês com materiais sobre Angola, Moçambique, Congo, e África austral; e conjuntos de cópias de teses académicas de outros autores.
No que diz respeito a Angola destacam-se os múltiplos dossiers com documentos sobre a história do processo de independência de Angola e contexto político pós-independência, crise política e guerra civil, análise social e demográfica, e transição democrática; documentos sobre o MPLA, UNITA e FNLA, e outros partidos políticos em Angola após 1991; documentos diversos sobre a questão colonial portuguesa, a colaboração entre Cuba e Angola, a religião em Angola, a questão de Cabinda, organizações civis angolanas; e uma extensa coleção de artigos e noticiários sobre a situação política e militar naquele país. Por fim, no que concerne Moçambique, assinala-se a documentação sobre o processo de desmobilização da FRELIMO e da RENAMO e pacificação de Moçambique, bem como relatórios e outros documentos sobre processos de observação internacional de eleições.
1959 — 2005
Socióloga, investigadora e ativista.
Christine Messiant-Gerber.
Nasceu em Paris, a 25 de maio de 1947. Iniciou os estudos no Liceu Lamartine, após o que partiu para o Colorado onde permaneceu entre 1964 e 1965. Quando regressou a Paris, continuou os seus estudos no Liceu Fénelon, entre 1965 e 1967, ingressando de seguida na Universidade de Paris onde se licenciou em Filosofia. Inscreveu-se na VI Secção da Escola Prática de Altos Estudos, onde frequentou o mestrado em Sociologia.
No final dos anos 60, Christine Messiant e o marido Yann Messiant entraram para a Liga Comunista, a secção francesa da IV Internacional. Messiant viria a ser membro da Comissão Central de Controlo deste organismo, no entanto, por divergências em relação às posições assumidas pela Liga, seria afastada, contra a sua vontade, da respetiva Comissão, acontecimento que determinou a decisão de abandonar a Liga em 1981.
Em 1968 tornou-se investigadora do Centro de Estudos Africanos da VI Secção da Escola Prática de Altos Estudos, e encetou a colaboração com os "Dossiers Africains", de Jean Copans. Trabalhou como secretária de redação dos "Cahiers d’études africaines" e, a partir de 1982, participou ativamente na criação e desenvolvimento da "Jovem Equipa África Austral" do Centro Nacional de Pesquisa Científica, e posteriormente do “Grupo de Pesquisa nº 846” cuja atividade se centrava na organização do “Seminário África Austral” na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais. Doutorou-se em Sociologia pela mesma escola, em 1983, com a tese "L’Angola colonial, histoire et société. Les prémisses du mouvement nationaliste", dirigida por Georges Balandier. Em 1992-94 iniciou uma nova aventura, na companhia de Michel Cahen e Christian Geffray, como co-fundadora da revista Lusotopie, na qual desempenhou um papel ativo na redação e conselho científico, publicou artigos e organizou dossiers temáticos.
Messiant dedicou parte da sua vida à investigação histórica e sociológica do processo revolucionário em Angola e sua subsequente degeneração, com enfoque na evolução do MPLA desde as origens do combate anticolonial ao unipartidarismo pós-independência, mantendo uma postura crítica sobre o conflito civil e o processo de paz, e sobre o estado que viria a designar de "oleocracia" na obra "L’Angola post-colonial. Sociologie politique d’une oléocratie".
No decorrer dos anos 1990, Messiant deslocou-se várias vezes a Angola no âmbito da sua pesquisa, realizou uma breve missão à Guiné-Bissau, em novembro de 1991, e uma longa missão a Moçambique, no verão de 1994, com o objetivo de analisar o processo de desmobilização da FRELIMO e RENAMO. Foi observadora internacional nos processos eleitorais em Moçambique e na África do Sul. Em 1998, a convite de Franz-Wilhelm Heimer, diretor do Centro de Estudos Africanos do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, deslocou-se a Portugal, onde foi acolhida por aquele instituto durante um ano.
Em março de 1999, Messiant publicou na revista Politique Africaine um artigo sobre a Fundação José Eduardo dos Santos, na sequência do qual foi aconselhada a não entrar em Angola durante um período. Nos últimos anos da sua vida, Messiant dedicou-se à pesquisa sobre as guerras civis no continente africano, trabalhando com Roland Marchal, Rémy Bazenguissa e Christian Geffray, e participou ativamente em prol dos direitos da terceira vaga de migrantes sem documentos.
Morreu a 3 de janeiro de 2006.
Arquivos FMSMB: Mário Pinto de Andrade. Mário Pinto de Andrade foi entrevistado por Christine Messiant em Paris (1962), entrevista que foi publicada posteriormente com o título "Sur la première génération du MPLA: 1948-1960"; Monique Chajmowiez/Viriato da Cruz.
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